Detalhar som

Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
 Leach, 1820
Subfamília: Caracarinae
 d'Orbigny, 1837
Espécie: C. plancus

Nome Científico

Caracara plancus
(Miller, 1777)

Nome em Inglês

Crested Caracara


Estado de Conservação

(IUCN 3.1)
Pouco Preocupante

Fotos Sons

Carcará

Também conhecido como caracará, carancho, caracaraí (Ilha do Marajó), gavião-de-queimada e gavião-calçudo. O carcará não é taxonomicamente uma águia, e sim um parente distante dos falcões. É tanto visto sozinho como em bandos numerosos em redor de mamíferos e carcaças. Ocorre em campos abertos, cerrados, borda de matas e inclusive centros urbanos de grandes cidades.

A canção Carcará, composta por João do Valle e José Cândido, ficou famosa na voz de Maria Bethânia. A canção descreve o hábito da espécie de caçar em queimadas:

Carcará, pega, mata e come
Carcará não vai morrer de fome
Carcará, mais coragem do que home
Carcará, pega, mata e come

Carcará, lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará, quando vê roça queimada,
Sai voando e cantando, carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
[…]

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (tupy) caracará = onomatopeia indígena para o som emitido por esta ave da família Falconidae; e do (latim) plancus, plangos = águia. ⇒ Águia que emite o som “cará”, “cará”.

Características

Medindo cerca de 50-60 centímetros da cabeça a cauda, o peso do macho é de 834 g; a fêmea pesa 953 g e mede cerca de 123 centímetros de envergadura; o carcará é facilmente reconhecível quando pousado, pelo fato de possuir uma espécie de solidéu preto sobre a cabeça, assim como um bico adunco e alto, que assemelha-se à lâmina de um cutelo; a face é vermelha. É recoberto de preto na parte superior e possui o peito de uma combinação de marrom claro com riscas pretas, de tipo “carijó”; patas compridas e de cor amarela; em voo, assemelha-se a um urubu, mas é reconhecível por duas manchas de cor clara na extremidade das asas. Deve seu nome à vocalização que emite. O peso varia de 786-953 gramas.

Para melhor identificação desta ave em voo, basta perceber que sua asa é mais estreita (fina) do que a de um urubu, e a cauda também mais longa.

Subespécies

Caracara plancus plancus: Possui uma distribuição geográfica ampla, que vai da Argentina até o sul dos Estados Unidos, ocupando toda uma variedade de ecossistemas, fora a cordilheira dos Andes. Sua maior população se encontra no sudeste e nordeste do Brasil.

Caracara plancus cheriway: Antes considerada uma espécie separada. Ocorre no norte do Brasil. Também no sul dos EUA (Texas ao Arizona, Flórida) e México (incluindo Ilha Três Marias); através da América Central ao Panamá e Colômbia, então no leste das Guianas e sul ao norte do Peru e Região Amazônica (norte do Maranhão); também Cuba e Aruba (Leeward Antilles) a Trinidad.

Indivíduos com plumagem flavística

O que é flavismo?

Flavismo é a ausência parcial da melanina (nesse caso ainda pode ser observado um pouco da cor original da ave), porém presença de pigmentos carotenoides. A ave flavística ou canela se apresenta com a coloração diluída, devido à perda parcial de melanina, tanto da eumelanina (pigmento negro) quanto da feomelanina (pigmento castanho).

Alimentação

Não é um predador especializado, e sim um generalista e oportunista, assim como o seu parente próximo, o carrapateiro (Milvago chimachima). Onívoro, alimenta-se de quase tudo o que acha, de animais vivos ou mortos até o lixo produzido pelos humanos, tanto nas áreas rurais quanto urbanas. Adaptou-se à presença humana, comendo restos de comida no lixo das casas ou as vísceras de peixe nos acampamentos de pescadores (Antas, 2005; Sick, 1997). Suas estratégias para obtenção de alimento são variadas: caça lagartos, cobras, sapinhos e caramujos; rouba filhotes de outras aves, até de espécies grandes como garças, colhereiros e tuiuiús (Jabiru mycteria); arranha o solo com os pés em busca de amendoim e feijão; apanha frutos de dendê; ataca filhotes recém-nascidos de cordeiros e outros animais. Também segue tratores que estão arando os campos, em busca de minhocas e larvas ou pequenos vertebrados, como anfíbios Leptodactylus fuscus (Crozariol & Gomes 2009). É muito comum ser avistado ao longo das rodovias para alimentar-se dos animais atropelados. Fica nas proximidades dos ninhais para comer restos de comida caídos no chão, ovos ou filhotes deixados sem a presença dos pais. Chega a reunir-se a outros carcarás para matar uma presa maior. É também uma ave comedora de carniça e é comumente visto voando ou pousado junto a urubus pacificamente, principalmente ao longo de rodovias ou nas proximidades de aterros sanitários e locais de depósito de lixo. Dois hábitos pouco conhecidos são a caça de crustáceos nos manguezais (seja entrando na água para abocanhar os que estão perto, ou percorrendo o mangue a pé, na maré baixa) e a pirataria (o fato de perseguir gaivotas e águias-pescadoras (Pandion haliaetus), forçando-as a deixar a presa cair, que apanha em voo).

Reprodução

Constrói um ninho com galhos em bainhas de folhas de palmeiras ou em outras árvores. Usa ninho de outras aves também. A postura do carcará é composta de dois ou três ovos, sendo raro encontrar um quarto ovo. A coloração dos ovos está entre o branco e o castanho avermelhado, podendo variar nas tonalidades existentes entre essas cores. Os ovos possuem manchas vermelhas ou castanhas e medem cerca de 56 a 61 mm de comprimento por 44 a 47 mm de largura. A incubação dura cerca de 28 dias e é feita por ambos os pais. O filhote sai do ninho por volta do terceiro mês de vida, mas continua demandando os cuidados dos pais por mais algum tempo. Segundo (Antas, 2005; Sick, 1997) os pais criam somente um filhote por temporada.

Hábitos

Vive solitário, aos pares ou em grupos, beneficiando-se da conversão da floresta em áreas de pastagem, como aconteceu no leste do Pará. Pousa em árvores ou cercas, sendo frequentemente observado no chão, junto a queimadas e ao longo de estradas. Passa muito tempo no chão, ajudado pelas suas longas patas adaptadas à marcha, mas é também um excelente voador e planador; costuma acompanhar as correntes de ar ascendentes. Durante a noite ou nas horas mais quentes do dia, costuma ficar pousado nos galhos mais altos, sob a copa de árvores isoladas ou nas matas ribeirinhas.
Para avisar os outros carcarás de seu território ou comunicação entre o casal, possui um chamado que origina o seu nome comum, “carcará”. Nesse chamado, dobra o pescoço e mantém a cabeça sobre as costas, enquanto emite o som (algumas espécies de aves de rapina têm o mesmo habito de dobrar o pescoço para trás quando emitem som). É visto com frequência em áreas urbanas.










Allopreening: comportamento social onde indivíduos de determinada espécie executam a limpeza em outro indivíduo pertencente ao seu grupo social.
Os motivos mais aceitos para este comportamento são remoção de ectoparasitos, posicionamento hierárquico e restabelecimento do bom convívio.
O Allopreening entre duas espécies de famílias diferentes (Cathartidae e Falconidae), uma necrófaga e a outra predadora, torna o entendimento deste comportamento, além de difícil, ainda mais belo. Muitas vezes incluem-se em bandos de urubus (principalmente urubus-de-cabeça-preta), compartilhando o alimento.

Predadores

Distribuição Geográfica

Possui uma distribuição geográfica ampla, que vai da Argentina até o sul dos Estados Unidos, ocupando toda uma variedade de ecossistemas, fora a cordilheira dos Andes. Sua maior população se encontra no sudeste e nordeste do Brasil.

Referências

Galeria de Fotos